Etilenoglicol como contaminante em alimentos
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Introdução
A segurança dos alimentos é uma preocupação constante da Vigilância Sanitária e dos profissionais da área da saúde. Substâncias que não deveriam estar presentes na cadeia alimentar podem causar sérios danos à saúde humana e animal. Um exemplo importante é o etilenoglicol, um composto químico amplamente utilizado na indústria, mas altamente tóxico quando ingerido. Casos recentes de contaminação reacenderam o alerta sobre os riscos desse composto e a importância do controle rigoroso de ingredientes utilizados na produção de alimentos.
O que é o etilenoglicol?
O etilenoglicol é um composto orgânico, incolor, de sabor adocicado e miscível em água. Ele é muito utilizado como anticongelante automotivo, em fluidos industriais e na fabricação de resinas e plásticos. Apesar de sua ampla aplicação industrial, o etilenoglicol não é permitido para uso em alimentos, justamente por sua toxicidade.
O perigo desse composto está no fato de que, após a ingestão, ele é metabolizado no organismo como substâncias ainda mais tóxicas, como o ácido glicólico e o ácido oxálico, que podem causar danos graves a diversos órgãos.

Toxicidade e efeitos no organismo
A intoxicação por etilenoglicol pode ocorrer de forma acidental ou por contaminação de produtos. Os sintomas iniciais costumam ser inespecíficos e podem incluir náuseas, vômitos, tontura, dor abdominal e sonolência. Em casos mais graves, a intoxicação evolui para alterações neurológicas, acidose metabólica, insuficiência renal aguda e, em situações extremas, pode levar ao óbito.
A gravidade da intoxicação está relacionada à quantidade ingerida e ao tempo decorrido até o início do tratamento. Por isso, a identificação precoce e o acesso rápido ao atendimento médico especializado são fundamentais.
Etilenoglicol como contaminante em alimentos
Embora não seja um aditivo alimentar, o etilenoglicol pode acabar presente em alimentos devido à contaminação de ingredientes utilizados durante o processo produtivo. Em 2022, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou um alerta sobre lotes de um ingrediente suspeito de conter etilenoglicol, após a ocorrência de intoxicação em animais. Como medida preventiva, a Anvisa determinou a proibição do uso desses lotes em alimentos e reforçou a importância do rastreamento e controle de matérias-primas.
Esse tipo de situação evidencia a vulnerabilidade da cadeia produtiva e a necessidade de fiscalização contínua, desde a origem dos insumos até o produto final. Além disso, reforça o papel do farmacêutico e de outros profissionais da saúde na garantia da qualidade e segurança dos alimentos.
Um dos casos mais conhecidos envolvendo o etilenoglicol no Brasil ocorreu em 2020, em Minas Gerais, quando a contaminação de uma cerveja artesanal por essa substância levou à intoxicação de diversos consumidores. A investigação apontou falhas no processo produtivo e no controle de qualidade, resultando em sintomas graves nos indivíduos afetados, como insuficiência renal e alterações neurológicas. O caso teve grande repercussão nacional e trouxe à tona a importância da vigilância sanitária e do cumprimento rigoroso das boas práticas de fabricação.
Em âmbito internacional, também existem registros de intoxicações por etilenoglicol associadas ao consumo de produtos contaminados, como medicamentos, bebidas alcoólicas falsificadas e alimentos processados. Esses episódios reforçam que a contaminação pode ocorrer em diferentes etapas da cadeia produtiva, especialmente quando há falhas no controle de fornecedores ou uso inadequado de substâncias químicas.

Onde procurar ajuda em casos de intoxicação
Diante da suspeita de ingestão de etilenoglicol ou de alimentos contaminados, é essencial procurar imediatamente um serviço de saúde. No Brasil, os Centros de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) oferecem orientação gratuita à população e aos profissionais de saúde, auxiliando na condução adequada dos casos de intoxicação.
A conscientização da população sobre os riscos e sintomas também é uma ferramenta importante para reduzir danos e evitar desfechos graves.
Considerações finais
O etilenoglicol é um exemplo claro de como substâncias de uso industrial podem representar um risco significativo quando entram, de forma indevida, na cadeia alimentar. Casos recentes reforçam a importância da vigilância sanitária, da fiscalização rigorosa e da atuação integrada entre órgãos reguladores e profissionais da saúde.
Referências
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Anvisa publica alerta sobre o uso de lotes de ingrediente suspeito de ter causado intoxicação em animais. Brasília, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2022/anvisa-publica-alerta-sobre-o-uso-de-lotes-de-ingrediente-suspeito-de-ter-causado-intoxicacao-em-animais. Acesso em: jan. 2026.
CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Public Health Statement for Ethylene Glycol. Atlanta, 2015. Disponível em: https://wwwn.cdc.gov/TSP/PHS/PHS.aspx?phsid=84&toxid=21. Acesso em: jan. 2026.
ESTADO DE MINAS. Etilenoglicol: conheça os sintomas de intoxicação e onde procurar ajuda. Belo Horizonte, 22 set. 2022. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2022/09/22/interna_gerais,1397015/etilenoglicol-conheca-os-sintomas-de-intoxicacao-e-onde-procurar-ajuda.shtml. Acesso em: jan. 2026.
Escrito por: Gabrielly Dantas A. de Sampaio








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