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PERIGOS DO USO INADEQUADO DE ÁCIDOS PARA PELE


O QUE É A QUIMIOESFOLIAÇÃO? 


A quimioesfoliação consiste na  aplicação de um ou mais agentes esfoliantes que promovem a destruição controlada de partes da epiderme e/ou derme, seguida de regeneração desses tecidos. O uso de ácidos para tratar alterações estéticas tem se tornado cada vez mais comum devido à sua eficácia.


PARA QUE SERVE? 


O tratamento com ácidos pode auxiliar na melhora de:

  • Rugas e linhas de expressão

  • Manchas (melasma, hiperpigmentação e melanoses)

  • Marcas e cicatrizes de acne

  • Estrias

  • Queratoses actínicas

  • Clareamento e uniformização da pele


ATENÇÃO!!! Não é indicado para quem não utiliza protetor solar adequadamente, durante a gravidez ou em períodos de grande estresse, pois a pele tende a ficar mais sensível.


QUÍMICA ENVOLVIDA 


O peeling químico age na pele principalmente por três mecanismos: 

  1. Remove células mortas da  superfície, estimulando a renovação celular.

  2. Elimina camadas danificadas, que são substituídas por tecido mais saudável.

  3. Induz uma inflamação controlada, que estimula a produção de colágeno, promovendo firmeza e rejuvenescimento.

Figura 1: Representação das camadas da pele e profundidade atingida pelos diferentes tipos de peeling químico. A imagem ilustra a estrutura da pele (epiderme e derme) e destaca, por cores, a profundidade alcançada por cada tipo de peeling: peeling superficial (em amarelo), que remove apenas o estrato córneo; peeling de média profundidade (em verde), que atinge as camadas mais internas da epiderme e a junção dermoepidérmica; e peeling profundo (em roxo), que alcança a derme papilar. Esses níveis de ação variam conforme o ácido utilizado, sua concentração e o pH da formulação.
Figura 1: Representação das camadas da pele e profundidade atingida pelos diferentes tipos de peeling químico. A imagem ilustra a estrutura da pele (epiderme e derme) e destaca, por cores, a profundidade alcançada por cada tipo de peeling: peeling superficial (em amarelo), que remove apenas o estrato córneo; peeling de média profundidade (em verde), que atinge as camadas mais internas da epiderme e a junção dermoepidérmica; e peeling profundo (em roxo), que alcança a derme papilar. Esses níveis de ação variam conforme o ácido utilizado, sua concentração e o pH da formulação.

Quanto maior a concentração do ácido e menor o  pH, mais profunda tende a ser sua ação. Entre os ácidos mais utilizados estão glicólico, salicílico, retinoico, entre outros.


PROBLEMÁTICA 


O uso de ácidos explodiu no Brasil, impulsionado pelas redes sociais e pela busca por resultados rápidos. Paralelamente, aumentaram os casos de irritação, queimaduras químicas, hipersensibilidade e piora do melasma — geralmente por uso indiscriminado, concentrações inadequadas e à falta de orientação profissional. 

Ácidos como glicólico, mandélico e salicílico podem trazer benefícios quando bem indicados, mas também causar descamação excessiva, ardência, manchas e danos à barreira cutânea se usados sem avaliação adequada.  Assim, conhecer o tipo de pele, a concentração segura e o modo correto de uso é essencial para evitar prejuízos e alcançar resultados reais.


BARREIRA CUTÂNEA DANIFICADA: 


A barreira cutânea é a camada mais externa da pele (Figura 2) , formada por células compactadas e lipídios essenciais, como ceramidas, colesterol e ácidos graxos. Ela funciona como um “escudo”, evitando a perda excessiva de água, protegendo contra irritantes e microrganismos e mantendo a pele saudável. 

Quando ácidos são usados em concentrações altas , diariamente ou sem  adaptação, essa barreira pode ser comprometida. Os sinais mais comuns incluem:

  • Ressecamento e descamação

  • Aumento da sensibilidade (ardência, vermelhidão, irritação)

  •  Inflamação, que pode desencadear dermatite ou eczema


Figura 2: Na barreira cutânea saudável, a pele impede a entrada de vírus, bactérias e toxinas, mantendo a hidratação dentro das camadas cutâneas. Já na barreira cutânea não saudável, esses agentes penetram com mais facilidade e a água escapa para fora da pele, resultando em maior sensibilidade, irritação e ressecamento.
Figura 2: Na barreira cutânea saudável, a pele impede a entrada de vírus, bactérias e toxinas, mantendo a hidratação dentro das camadas cutâneas. Já na barreira cutânea não saudável, esses agentes penetram com mais facilidade e a água escapa para fora da pele, resultando em maior sensibilidade, irritação e ressecamento.

CONTRAINDICAÇÕES IGNORADAS


Ácidos não são recomendados para gestantes ou lactantes, devido à falta de evidências de segurança. Também devem ser evitados em áreas com feridas, cortes ou lesões ativas.

Pessoas com pele extremamente sensível devem usar concentrações mais baixas  e monitorar reações. Indivíduos com eczema, psoríase ou rosácea, precisam de cuidados redobrados.  Quem tem histórico de alergia a cosméticos ou a algum ácido específico deve informar o dermatologista. Em crianças, o uso é contra-indicado, pois a pele infantil é mais fina e sensível e suscetível a irritações.




ERROS MAIS COMUNS


Entre os erros mais frequentes estão:


  • Introdução abrupta do tratamento, com o uso diário desde o início, ultrapassando a capacidade de adaptação da pele.

  • Uso de altas concentrações, muitas vezes manipuladas sem orientação,  acreditando que “mais forte é melhor”. 

  • Combinação excessiva de ácidos ou associação com outros ativos irritativos, como retinóides potentes.

  • Falta de fotoproteção, especialmente sem reaplicação, agravando melasma e hiperpigmentação.

  • Reprodução de rotinas da internet, sem considerar o tipo de pele ou necessidades individuais.

  • Uso de substâncias inadequadas, como limão ou bicarbonato, além  de retinóides na gestação.

  • Essas práticas aumentam o risco de inflamação, danos cumulativos e piora de condições existentes.



IRRITAÇÃO E QUEIMADURAS 


O uso irracional de ácidos, facilitado pelo fácil acesso- pode comprometer seriamente a barreira cutânea. A literatura mostra que, quando aplicados em peles sensibilizadas, em concentrações elevadas ou em combinações inadequadas, ácidos como glicólico, salicílico e mandélico podem causar inflamação intensa, sensação imediata de queimação eritema persistente e até lesões semelhantes a queimaduras químicas. Procedimentos mal executados também aumentam o risco  de crostas, infecções e danos profundos à epiderme.




PIORA DAS MANCHAS


O uso inadequado de ácidos pode agravar manchas ou gerar hiperpigmentação pós-inflamatória, especialmente em fototipos altos. Isso ocorre porque a inflamação aumenta a produção de melanina. Além disso, a renovação celular acelerada deixa a pele mais sensivel ao sol; sem proteção adequada, o melasma tende a escurecer, especialmente quando produtos potentes são usados diariamente e sem adaptação. 



COMO USAR COM SEGURANÇA? 


O uso seguro de ácidos exige introdução gradual, permitindo que a pele desenvolva tolerância. Recomenda-se iniciar com baixas concentrações, aplicadas em dias alternados. 

Cuidados essenciais:

  • Manter a  hidratação contínua para restaurar a da barreira cutânea.

  • Usar fotoproteção diária, com reaplicação a cada duas ou três horas, 

  • Evitar combinar diversos ativos potentes ao mesmo tempo 

  • Pausar o uso em caso de irritação persistente

  • Escolher o ácido e concentração adequados ao tipo de pele, fototipo e condições dermatológicas. 



CONCLUSÃO:


O ácidos pode ser ferramentas poderosas para tratar acne, manchas, textura irregular e sinais de envelhecimento, desde que usados com conhecimento e respeito à fisiologia da pele. A automedicação e o uso indiscriminado reduzem os benefícios e aumentam os riscos como irritação, sensibilidade crônica, inflamação e piora do melasma e dermatites.

Entender os limites da própria pele e buscar orientação profissional não é exagero, mas sim parte essencial de um cuidado seguro. A pele é um órgão complexo; tratá-la com responsabilidade garante resultados reais, sustentáveis e sem danos a longo prazo.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 


SILVA, Brenda Isabelly Oliveira Felix; OLIVEIRA, Maria Eduarda Vasconcelos de. Avaliação dos riscos químicos ao uso irracional de formulações dermatológicas contendo ácidos: revisão sistemática. Recife: Faculdade Pernambucana de Saúde, 2022. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Farmácia).


GUERRA, Fernando Marcos Rosa Maia; KRINSK, Gabriela Garcia; CAMPIOTTO, Laís Guarnieri; GUIMARÃES, Karla Mariana Fernandes. Aplicabilidade dos peelings químicos em tratamentos faciais: estudo de revisão. Brazilian Journal of Surgery and Clinical Research (BJSCR), v. 4, n. 3, p. 33–36, set./nov. 2013. 


L’ORÉAL BRASIL COMERCIAL DE COSMÉTICOS LTDA. Barreira cutânea danificada: como cuidar dela. La Roche-Posay. Disponível em: https://www.laroche-posay.pt/article/barreira-cutanea-danificada-como-cuidar


VOGUE. Quais os riscos de utilizar ácidos na pele sem orientação médica. Vogue Brasil, 2024. Disponível em: https://vogue.globo.com/beleza/noticia/2024/07/quais-os-riscos-de-utilizar-acidos-na-pele-sem-orientacao-medica.ghtml


DRAUZIO VARELLA. Ácidos no rosto: quais são os riscos e indicações. UOL Drauziovarella,[s.d.].Disponível em: https://drauziovarella.uol.com.br/dermatologia/acidos-no-rosto-quais-sao-os-riscos-e-indicacoes/


KAFI, R.; FINKEL, L.; OMAR, M.; et al. Improvement of naturally aged skin with vitamin A (retinol). Archives of Dermatology, v. 143, n. 5, p. 606–612, 2007. 



Escrito por: Alanna Figueiredo Guimarães e Juliana Silva de Lima


 
 
 

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