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Diabetes Tipo 1 e 2

 


O diabetes mellitus é uma doença crônica que afeta milhões de pessoas no mundo — mas ela não é toda igual. Os tipos mais comuns são o tipo 1 e o tipo 2, que têm causas, características e tratamentos diferentes. 

Entender essas diferenças é fundamental para promover prevenção, diagnóstico precoce e bom controle. Neste post, vamos explicar como cada tipo funciona, quais são os sintomas, como é feito o diagnóstico, quais terapias são usadas e o que pode ser feito para prevenir (especialmente no tipo 2).



Em organismos saudáveis, após ingestão de alimentos, o pâncreas entra em ação e libera insulina (um hormônio que ajuda o nosso corpo a usar a energia dos alimentos). Todo carboidrato que comemos vira glicose, que é o “combustível” das células. A insulina é quem leva essa glicose para dentro das células, para que o corpo funcione bem.



Figura 1:  VEJA SAÚDE. Vida saudável com diabetes. [S. l.]: Abril. Disponível em: https://veja.abril.com.br/especiais/vida-saudavel-com-diabetes/



O que é o diabetes mellitus?

Diabetes é uma condição em que o corpo não regula adequadamente os níveis de glicose (açúcar) no sangue. Isso acontece porque, em geral, há problemas na produção ou no uso da insulina, um hormônio essencial produzido pelo pâncreas. Quando a regulação falha, a glicose pode se acumular no sangue, causando complicações crônicas.


Diabetes tipo 1

  • É uma doença autoimune: o sistema imunológico ataca as células β do pâncreas, que produzem insulina. 

  • Como resultado, há falta quase total de insulina, e a pessoa precisa de injeções ou bomba de insulina para sobreviver. 

  • Geralmente aparece na infância, adolescência ou início da vida adulta. 

  • Por ser autoimune, não há cura até agora, apenas controle.



Figura 2: VEJA SAÚDE. Vida saudável com diabetes. [S. l.]: Abril. Disponível em: https://veja.abril.com.br/especiais/vida-saudavel-com-diabetes/.


Sintomas comuns: sede intensa, ganho de frequência urinária (urinar muito), perda de peso rápida, fadiga. 


Tratamento: 

  • administração de insulina (tipos diferentes — de ação rápida, lenta, etc), 

  • monitoramento da glicose, 

  • educação em nutrição, 

  • suporte multidisciplinar (endocrinologista, nutricionista, enfermeiro).


Diabetes tipo 2

  • Diferente do tipo 1, no tipo 2 o corpo produz insulina, mas não a usa bem (“resistência à insulina”) ou há produção insuficiente conforme a necessidade. 

  • É mais comum, representando a maioria dos casos de diabetes.  

  • Fatores de risco incluem predisposição genética, obesidade, sedentarismo e alimentação não saudável.  

  • Pode aparecer mais tardiamente na vida, mas tem sido diagnosticado também em jovens, especialmente com obesidade.




 Figura 3: VEJA SAÚDE. Vida saudável com diabetes. [S. l.]: Abril. Disponível em: https://veja.abril.com.br/especiais/vida-saudavel-com-diabetes/.


Sintomas: às vezes os sintomas são mais sutis ou até ausentes. No tipo 2, uma pessoa pode ter hiperglicemia por anos sem notar. 

Tratamento: dieta saudável, atividade física, perda de peso (quando aplicável), medicamentos orais (como metformina), ou até insulina, dependendo da gravidade. 

Prevenção: no caso do tipo 2, mudanças no estilo de vida são cruciais: alimentação balanceada, exercício regular e monitoramento de risco, especialmente para quem tem histórico familiar.

Diagnóstico

Para ambos os tipos, o diagnóstico envolve:

  1. Exames de sangue para glicemia (jejum, aleatório) ou hemoglobina glicada (A1C).

  2. Avaliação clínica — histórico familiar, sintomas, estilo de vida.

  3. Em alguns casos, exames adicionais podem ser feitos para diferenciar os tipos (por exemplo, avaliação de autoanticorpos no tipo 1).


Complicações

Se não bem controlado, o diabetes pode levar a várias complicações, como:

  • Doenças cardiovasculares (infarto, AVC)

  • Lesões nos rins (nefropatia)

  • Danos nos nervos (neuropatia)

  • Problemas nos olhos (retinopatia)

  • Feridas que não cicatrizam bem


O controle adequado da glicemia, a adesão ao tratamento e consultas regulares com a equipe de saúde ajudam muito a prevenir essas complicações.




Convivendo com o diabetes

Ter diabetes requer cuidado constante, mas muitas pessoas conseguem ter uma qualidade de vida muito boa com o apoio certo. Algumas estratégias são:

  • Monitorar a glicemia com regularidade

  • Seguir orientações de alimentação de um nutricionista

  • Planejar as doses de insulina (se for o caso)

  • Praticar atividades físicas que sejam seguras e regulares

  • Ter uma rede de apoio (família, amigos, equipes de saúde)

Além disso, é importante desmistificar certas afirmações: por exemplo, “produtos naturais curam o diabetes” é uma fake news segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes. 


 O Impacto Invisível do Diabetes: Além da Glicemia

É comum focarmos no controle da glicemia ao falar sobre diabetes, mas a realidade da doença exige uma atenção mais profunda: o seu impacto na qualidade de vida. Um estudo detalhado de Maciel, Santos e Page (2018) deixa claro que a convivência com o Diabetes Mellitus impõe um fardo diário que vai além das medições.

 Para quem vive com o Tipo 1, o gerenciamento constante da insulina, a preocupação com a hipoglicemia e a rigidez da rotina podem esgotar emocionalmente. Já para o portador do Tipo 2, a batalha muitas vezes é dupla, pois ele precisa lidar simultaneamente com a doença crônica e o peso das comorbidades associadas, como hipertensão e obesidade. 

Entender essa dinâmica — que envolve estresse, ansiedade e a necessidade incessante de monitoramento — é o primeiro passo para oferecer um suporte que realmente faça a diferença na vida de quem convive com o diabetes.


Conclusão


O diabetes tipo 1 e o tipo 2 são diferentes, mas ambos exigem atenção, autocuidado e tratamento adequado. 

A informação correta é a base para a prevenção (no tipo 2), para o diagnóstico precoce e para uma vida mais saudável com a doença. 

Se você ou alguém que conhece tem sintomas ou riscos para diabetes, vale a pena procurar acompanhamento médico. Conhecer a doença é um passo importante para controlá-la com responsabilidade.


Referências bibliográficas 


MACIEL, Carolina Leite; SANTOS, Raissa Mancilha dos; PAGE, Marcelo L. Impacto do diabetes tipo 1 e 2 na qualidade de vida do portador. In: REVISTA SAÚDE EM FOCO, Edição nº 10, 2018. Disponível em: https://portal.unisepe.com.br/unifia/wp-content/uploads/sites/10001/2018/07/051_IMPACTO_DO_DIABETES_TIPO_1_E_2.pdf.



Escrito por: Gabrielly Dantas A. de Sampaio

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