DOENÇA DE CROHN
- siteconscienciaufr
- 13 de out. de 2025
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A Doença de Crohn (DC) é uma enfermidade inflamatória intestinal crônica, de caráter transmural, que pode acometer qualquer segmento do trato gastrointestinal, desde a cavidade oral até o ânus. Entretanto, os locais mais frequentemente afetados são o íleo distal e o cólon. A inflamação característica da doença atravessa todas as camadas da parede intestinal, o que predispõe a diversas complicações, como estenoses, fístulas, abscessos e perfurações.

Imagem 1: Possíveis complicações da Doença de Crohn.
Epidemiologia
A Doença de Crohn pode afetar ambos os sexos, com predominância em mulheres. A faixa etária mais acometida situa-se entre 20 e 40 anos, com uma segunda incidência entre os 50 e 60 anos, mas pode acometer qualquer faixa etária. Em termos globais, sua prevalência e incidência são maiores em países em desenvolvimento, incluindo o Brasil. Contudo, ainda há escassez de dados epidemiológicos nacionais que permitam definir com precisão o perfil da doença no país.
Causas
As causas da doença ainda não estão completamente elucidadas, mas envolve uma complexa interação entre fatores genéticos, ambientais, microbiológicos e imunológicos. Em indivíduos geneticamente predispostos, há uma resposta imune exacerbada contra componentes da microbiota intestinal, resultando em desregulação imune, desequilíbrio na flora intestinal e inflamação persistente da mucosa intestinal. Fatores ambientais, como tabagismo, infecções, uso de certos medicamentos e a dieta, podem desencadear ou agravar o quadro clínico.
Manifestações Clínicas
Os sintomas são variáveis, dependendo da extensão e localização da inflamação. Os sinais e sintomas mais comuns incluem:
- Dor abdominal e cólicas intestinais;
- Diarreia crônica, com ou sem sangue nas fezes;
- Perda de peso;
- Fadiga e astenia;
- Perda de apetite;
- Febre baixa;
- Manifestações extraintestinais, como manchas ou feridas na pele, dores nas articulações, inflamação dentro dos olhos e inflamação na parte branca dos olhos.

Imagem 2: Sintomas da Doença de Crohn
Complicações
Além de estreitamentos e fístulas no intestino, a dificuldade em absorver os alimentos pode causar falta de vitaminas, como B12 e D. Além disso, uma complicação mais rara é a colite tóxica, que consiste na paralisação do intestino e dilatação acentuada do cólon. É importante dizer que isso é visto em exames e, na maioria dos casos, exige cirurgia de emergência
Com o tempo, a doença de Crohn pode aumentar o risco de câncer no intestino, principalmente após muitos anos de evolução, sendo que esse risco é ainda maior quando o cólon está afetado.
Diagnóstico
O diagnóstico baseia-se em avaliação clínica detalhada, incluindo histórico médico e exame físico, complementado por métodos laboratoriais e de imagem. Os exames mais comumente utilizados incluem:
- Endoscopia digestiva alta e colonoscopia com biópsia;
- Enteroscopia e cápsula endoscópica;
- Exames de imagem, como ultrassonografia abdominal, ressonância magnética enterográfica e tomografia computadorizada;
- Realização de exames laboratoriais, com avaliação de marcadores inflamatórios, sorologias e dosagem de vitaminas.
Tratamento
A doença de Crohn não possui cura definitiva, mas seu tratamento ajuda a controlar a inflamação, evitar complicações e melhorar a qualidade de vida. O objetivo é fazer com que a doença entre em remissão (melhora) e se mantenha assim. As principais formas de tratamento incluem:
- Terapia medicamentosa: uso de anti-inflamatórios (aminossalicilatos), antibióticos, corticosteroides, imunossupressores e agentes biológicos (anti-TNF, anti-integrinas, anti-interleucinas);
- Terapia nutricional: dietas específicas, como dietas hipercalóricas, com baixo teor de fibras (sem resíduos), restrição de lactose ou sódio. O acompanhamento nutricional individualizado é necessário.
- Cirurgia: indicada nos casos refratários ao tratamento clínico ou em presença de complicações, como estenoses graves, fístulas complexas, abscessos intra-abdominais, hemorragia persistente ou colite tóxica.
Quando indicado, é necessário desviar o trânsito intestinal para fora do corpo. Nesses casos, uma parte do intestino é conectada à parede abdominal, formando uma abertura chamada estoma, por onde as fezes são eliminadas para uma bolsa coletora externa. Esse desvio pode ser temporário, quando o objetivo é permitir que o segmento intestinal inflamado cicatrize antes de uma futura reconexão do trânsito intestinal, ou definitivo, quando não é possível restabelecer a continuidade do intestino com segurança, seja pela extensão da doença, pelas complicações cirúrgicas ou pelo risco de recorrência.
Conclusão
A doença de Crohn é uma inflamação crônica do intestino, causada por vários fatores e que pode atingir qualquer parte do sistema digestivo. Ademais, ela pode se manifestar de formas diferentes, sendo desde sintomas leves até complicações graves, como, por exemplo, estreitamentos, abscessos e fístulas. Essa doença com o tempo pode levar a problemas de nutrição, queda na qualidade de vida e aumento do risco de câncer no intestino, principalmente quando o cólon é afetado por muitos anos.
Embora ainda não exista cura, os tratamentos atuais permitem controlar melhor a inflamação, mantendo a doença em fase de remissão (melhora) e diminuindo a necessidade de cirurgia. O tratamento, no entanto, deve ser adaptado para cada pessoa, levando em conta a gravidade, o local do intestino que foi comprometida, a resposta do corpo as terapias anteriores e outras doenças associadas.
Entender a doença, descobrir cedo e seguir corretamente o tratamento são passos fundamentais para evitar complicações e garantir uma vida melhor para o paciente.
Referências Bibliográficas
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