Transtornos Psicóticos: Esquizofrenia
- siteconscienciaufr
- 30 de set. de 2025
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Introdução
A esquizofrenia, assim como outros transtornos mentais, ainda é cercada de preconceitos e estigmas no Brasil e no mundo. Por muito tempo, a doença foi associada a ideias equivocadas, como “perda total da razão” ou “perigo constante”. Felizmente, esse cenário vem mudando , graças à maior conscientização da população, ao avanço das pesquisas científicas e ao fortalecimento das políticas públicas de saúde mental.
O que é Esquizofrenia? Vamos falar um pouco mais da doença?
A esquizofrenia é um transtorno mental crônico ou seja, com desenvolvimento lento e prolongado. Ela que altera a forma como a pessoa percebe a realidade, pensa, sente e se comporta. Ela é considerada multifatorial, ou seja, pode estar associada a uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais. Diferente do que muitos imaginam, a esquizofrenia não significa ter “dupla personalidade”, mas sim vivenciar sintomas que podem comprometer o contato com a realidade.Causas e fatores de risco: A ciência ainda não conhece uma única causa da esquizofrenia, mas já se sabe que ela envolve uma predisposição genética, alterações no funcionamento dos neurotransmissores (como dopamina e glutamato) e fatores ambientais, como estresse intenso, complicações no parto ou uso precoce de drogas.
Diagnóstico
O diagnóstico é feito por médicos psiquiatras, a partir da observação clínica, entrevistas e acompanhamento do paciente. Uma ferramenta bastante utilizada na área da saúde é a Escala das Síndromes Positiva e Negativa (PANSS), que mede a gravidade dos sintomas e ajuda a acompanhar a evolução do tratamento.
Os sintomas costumam ser divididos em três grupos
Sintomas positivos: são experiências que não existem para as pessoas sem a doença, como delírios (crenças falsas, mas sentidas como reais) e alucinações (percepções sem estímulo externo, como ouvir vozes).
Sintomas negativos: representam a ausência ou diminuição de funções normais, como o embotamento afetivo (falta de motivação, redução da expressão emocional e isolamento social)
Sintomas cognitivos: Afetam a forma de pensar, dificultando a concentração, memória e organização das idéias.
Importância do diagnóstico precoce: quanto antes os primeiros sinais são reconhecidos — como isolamento social repentino, fala desconexa e queda no desempenho escolar ou no trabalho — maiores as chances de estabilizar os sintomas e evitar complicações futuras.
Existe tratamento pelo SUS?
No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito para pessoas com esquizofrenia. O primeiro passo é buscar atendimento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), que pode encaminhar o paciente para um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) — espaços especializados no cuidado em saúde mental, que oferecem acompanhamento multiprofissional (médicos, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais).
Além do tratamento medicamentoso, os CAPS também oferecem atividades de reintegração social, como oficinas de artes, grupos terapêuticos e suporte às famílias.
E o tratamento farmacológico? Como funciona?
De acordo com o Protocolo Clinico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) 2013, os medicamentos mais utilizados no início do tratamento são os antipsicóticos atípicos, como risperidona, olanzapina e quetiapina. Estes auxiliam a regular a atividade cerebral, de forma a restaurar o equilíbrio entre os neurotransmissores, reduzindo sintomas como delírios e alucinações. Nesse sentido, o tratamento deve ser orientado por um médico que irá disponibilizar um receituário branco de controle especial (C1) para buscar o medicamento na farmácia.
Importante:
Nunca ajuste a dose ou interrompa o uso por conta própria.
Informe sempre ao médico sobre possíveis efeitos colaterais.
Novos tratamentos em estudo: além dos medicamentos tradicionais, pesquisadores investigam terapias complementares, como estimulação cerebral não invasiva, uso de realidade virtual para treinar habilidades sociais e intervenções psicossociais que fortalecem a autonomia do paciente.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
[1] MENEZES, Letycia Amaral. A ESQUIZOFRENIA NA PERSPECTIVA DA NEUROCIÊNCIA. Revista do Instituto de Ciências Humanas, v.18, n.28, jul. 2022. ISSN: 2359-0017.
[2] MEDEIROS, Eduardo Ribeiro de et al. Esquizofrenia: perspectivas atuais acerca do diagnóstico, tratamento e evolução clínica da doença. Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 6, n. 1, p. 237-248, jan./fev. 2023. DOI: 10.34119/bjhrv6n1-007.
[3] BRASIL. Ministério da Saúde. Dia Nacional da Pessoa com Esquizofrenia: cercada de tabus, doença tem tratamento no SUS. Brasília, DF, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2021/maio/dia-nacional-da-pessoa-com-esquizofrenia-cercada-de-tabus-doenca-tem-tratamento-no-sus. Acesso em: 23/09/2025.
[4] GOMES, Ana Flávia Salgado Rodrigues et al. Esquizofrenia: a evolução do diagnóstico e os tratamentos utilizados no Brasil. Brazilian Journal of Surgery and Clinical Research, Curitiba, v. 28, n. 2, p. 15-19, set./nov. 2019. Edição Especial do 1º Congresso Regional de Medicina da FADIP. ISSN 2317-4404.
[5] BRASIL. Ministério da Saúde. Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC). Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas: Esquizofrenia. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2013. 128 p. Disponível em: https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/protocolos/pcdt-esquizofrenia-livro-2013-1.pdf.








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