FEVEREIRO ROXO
- siteconscienciaufr
- 9 de fev.
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O QUE É O FEVEREIRO ROXO?
O Fevereiro Roxo é uma campanha de conscientização realizada em todo o Brasil, com o objetivo de alertar a população sobre três doenças crônicas que ainda não possuem cura: Alzheimer, Fibromialgia e Lúpus. Embora não exista cura definitiva, o diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado são fundamentais para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
A campanha busca informar a população, combater estigmas e desconstruir mitos, além de reforçar a importância de procurar auxílio médico diante dos primeiros sinais e sintomas. Por meio da divulgação de conteúdos educativos, o Fevereiro Roxo promove conhecimento e incentiva o cuidado contínuo com a saúde.
A cor roxa simboliza a luta contra essas condições e representa empatia, respeito e apoio às pessoas que convivem com essas doenças. O movimento mobiliza profissionais da saúde, organizações não governamentais, instituições governamentais e a comunidade médica, com o propósito de orientar sobre sintomas, opções de tratamento e formas de apoio, sempre destacando a importância do diagnóstico precoce.

ALZHEIMER E A IMPORTÂNCIA DA CONSCIENTIZAÇÃO NO FEVEREIRO ROXO
O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva que compromete funções essenciais do cérebro, como memória, raciocínio, linguagem e comportamento. Essa condição está relacionada, entre outros fatores, ao acúmulo da proteína beta-amiloide no cérebro, levando à morte gradual dos neurônios e à perda progressiva da capacidade cognitiva.
A doença afeta principalmente pessoas idosas e, em seus estágios iniciais, pode ser facilmente confundida com esquecimentos comuns do envelhecimento. Por esse motivo, o diagnóstico costuma ser tardio, o que dificulta o controle da progressão dos sintomas. Com o passar do tempo, o Alzheimer atinge diferentes regiões do cérebro, provocando perdas crescentes à autonomia do paciente. Em fases avançadas, a pessoa pode necessitar de ajuda para realizar atividades básicas do dia a dia, como se alimentar, vestir-se e manter a higiene pessoal.
Apesar dos avanços da ciência, o Alzheimer ainda não possui cura. Ainda assim, o reconhecimento precoce dos sinais da doença faz toda a diferença no manejo clínico. Estimativas internacionais indicam que o número de diagnósticos cresce rapidamente em todo o mundo, com projeções que apontam mais de 100 milhões de pessoas vivendo com Alzheimer até 2050, o que reforça a importância da conscientização.
No contexto do Fevereiro Roxo, a campanha chama atenção para sintomas frequentes da doença, como esquecimentos persistentes, confusão mental, dificuldades de comunicação e alterações de humor e comportamento. Nos estágios iniciais, esses sinais podem ser sutis, mas tendem a se intensificar com o tempo, impactando não apenas o paciente, mas também seus familiares e cuidadores.
Diversos fatores de risco estão associados ao desenvolvimento do Alzheimer. A idade avançada é o principal deles, mas fatores como predisposição genética, sedentarismo e problemas cardiovasculares também influenciam. A adoção de um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e estímulos cognitivos, pode contribuir para retardar o aparecimento dos sintomas ou reduzir sua intensidade. Atividades que desafiam o cérebro, como leitura, jogos de memória e exercícios de raciocínio, são importantes aliados na preservação das funções mentais.
Embora não exista tratamento curativo, abordagens terapêuticas podem desacelerar a evolução da doença e melhorar a qualidade de vida. O uso de medicamentos associado a terapias especializadas e ao suporte familiar é fundamental, reforçando a importância do diagnóstico precoce.

FIBROMIALGIA E A CONSCIENTIZAÇÃO NO FEVEREIRO ROXO
A fibromialgia é uma síndrome crônica caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes, que não estão associadas a processos inflamatórios ou lesões visíveis. Essa condição está relacionada a alterações na forma como o sistema nervoso central interpreta os estímulos dolorosos, amplificando a percepção da dor. Estima-se que cerca de 3% da população brasileira conviva com a fibromialgia, sendo a maioria dos casos diagnosticados em mulheres.
Além da dor contínua, a fibromialgia costuma vir acompanhada de outros sintomas que impactam significativamente a rotina do paciente. Entre os mais comuns como fadiga intensa, distúrbios do sono, dificuldades de concentração, lapsos de memória e alterações do humor. A sensibilidade aumentada ao toque e às variações de temperatura também pode estar presente, variando de intensidade conforme cada indivíduo.
No contexto do Fevereiro Roxo, a fibromialgia ganha destaque por ser frequentemente incompreendida e subdiagnosticada, uma vez que os sintomas iniciais podem ser confundidos com estresse, cansaço excessivo ou problemas emocionais. Isso atrasa o diagnóstico e o início do tratamento, comprometendo a qualidade de vida do paciente.
Atualmente, a fibromialgia não possui cura. No entanto, o tratamento adequado pode proporcionar controle eficaz dos sintomas, permitindo uma vida mais ativa e funcional. A abordagem terapêutica é multidisciplinar e pode incluir o uso de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos e acompanhamento psicológico.
Além do tratamento clínico, o apoio familiar e social é fundamental. O acolhimento e o respeito aos limites individuais favorecem a adesão ao tratamento e promovem melhora significativa na qualidade de vida

LÚPUS E A IMPORTÂNCIA DA CONSCIENTIZAÇÃO NO FEVEREIRO ROXO
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença crônica, inflamatória e autoimune, na qual o próprio sistema imunológico ataca tecidos saudáveis do próprio corpo. Essa condição pode afetar diversos órgãos e sistemas, como pele, articulações, rins, cérebro, vasos sanguíneos e coração.
Em casos mais graves, o lúpus pode levar a complicações importantes, especialmente quando há comprometimento renal, neurológico ou cardiovascular. Sem diagnóstico e acompanhamento adequados, a doença pode evoluir para óbito. Muitas vezes, o diagnóstico ocorre após uma crise da doença, que pode ser precipitada por alguns gatilhos, como exposição inadequada à luz solar, infecções ou uso de determinados medicamentos.
Os sintomas podem surgir de forma gradual ou súbita, variar de leves a graves e ocorrer em crises intercaladas por períodos de remissão. Entre os sinais mais comuns estão fadiga intensa, febre, dores articulares, alterações cutâneas, como o rash em “asa de borboleta” no rosto e sensibilidade à luz solar (Figura 1).
O lúpus pode acometer pessoas de qualquer idade, raça ou sexo, não possuindo fatores de risco totalmente definidos. Contudo, é mais frequente em mulheres entre 15 e 40 anos, apresentando maior incidência em pessoas afrodescendentes, hispânicas e asiáticas. Estima-se que o lúpus seja três a quatro vezes mais comum em mulheres negras do que em mulheres brancas.
No contexto do Fevereiro Roxo, o lúpus ganha destaque por ser uma doença crônica e complexa, reforçando a importância da informação, da conscientização e do apoio contínuo aos pacientes.

Figura: Principais sintomas do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES)
A IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO
Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, cerca de 65 mil pessoas no Brasil convivem com doenças autoimunes. Nesse cenário, ampliar a conscientização sobre o lúpus, a fibromialgia e o Alzheimer é essencial, especialmente em relação ao diagnóstico precoce.
Embora não tenham cura, a identificação antecipada permite um manejo clínico mais eficaz, contribuindo para o controle dos sintomas, prevenção de complicações e preservação da qualidade de vida.
Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES): O diagnóstico precoce evita danos irreversíveis a órgãos vitais e possibilita um cuidado mais eficaz e humanizado.
Fibromialgia: A identificação antecipada permite o controle adequado da dor, da fadiga e melhora a qualidade de vida do paciente.
Alzheimer: O diagnóstico nos estágios iniciais ajuda a retardar o declínio cognitivo e preservar a autonomia por mais tempo.
CONSCIENTIZAÇÃO E APOIO
De forma geral, a conscientização e o diagnóstico precoce das doenças abordadas no Fevereiro Roxo são fundamentais para garantir um cuidado mais eficaz e humanizado.
Reconhecer os sinais iniciais e buscar avaliação médica permite iniciar o tratamento adequado e reduzir impactos físicos e emocionais.
Além disso, a informação promove empatia, combate o preconceito e fortalece o apoio familiar e social, essenciais para que os pacientes se sintam acolhidos e respeitados ao longo de todo o processo de cuidado.
REFERÊNCIAS
1. MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE GOIÁS. Fevereiro Roxo: o mês de alerta sobre Alzheimer, Lúpus e Fibromialgia. Portal MPGO, 2025. Disponível em: https://www.mpgo.mp.br/portal/conteudo/fevereiro-roxo-o-mes-de-alerta-sobre-alzheimer-lupus-e-fibromialgia. Acesso em: 29 jan. 2026.
2. SPDM – ASSOCIAÇÃO PAULISTA PARA O DESENVOLVIMENTO DA MEDICINA. Fevereiro Roxo: o que é, sintomas das doenças, diagnóstico e como apoiar a campanha em 2025. SPDM Blogs, 14 fev. 2025. Disponível em: https://spdm.org.br/blogs/fevereiro-roxo/. Acesso em: 29 jan. 2026.
3. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Lúpus. GOV.BR, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/l/lupus. Acesso em: 29 jan. 2026.
Por Alanna Figueiredo e Juliana Lima.




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