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Aspergilose: o que é, como surge e quando se preocupar.


  1. O que é a aspergilose?


A aspergilose é uma doença causada por fungos do gênero Aspergillus, que são muito 

comuns no ambiente. Esses fungos vivem no solo, na poeira, em plantas e em matéria orgânica em decomposição, fazendo parte do nosso dia a dia.

Eles se reproduzem liberando pequenas partículas chamadas esporos, que ficam 

suspensas no ar e podem ser inaladas sem que a pessoa perceba. Isso acontece com todos nós o tempo todo, principalmente em ambientes abertos ou com poeira.

É importante entender que o simples contato com o fungo não significa que a pessoa vai 

desenvolver a doença. Na maioria dos casos, o organismo consegue eliminar esses esporos naturalmente. A aspergilose costuma surgir apenas quando há alguma dificuldade de defesa do corpo, como em pessoas com imunidade baixa ou problemas respiratórios, permitindo que o fungo se desenvolva e cause infecção.


Estimativas recentes indicam que mais de 2,1 milhões de pessoas desenvolvem 

Aspergilose invasiva anualmente, especialmente pacientes com DPOC, câncer pulmonar, neoplasias hematológicas e indivíduos internados em unidades de terapia intensiva. Além disso, a aspergilose pulmonar crônica apresenta incidência estimada de cerca de 1,8 milhão de casos por ano no mundo, causando aproximadamente 340 mil mortes anuais. A mortalidade da aspergilose invasiva é extremamente elevada, podendo atingir 85,2% dos casos em populações vulneráveis. Em pacientes transplantados, estudos demonstram sobrevida de apenas 25% após um ano em receptores de transplante de células-tronco hematopoéticas. Dados epidemiológicos também mostram que entre 1% e 3,9% dos pacientes hospitalizados por DPOC podem desenvolver aspergilose invasiva. O aumento do uso de terapias imunossupressoras, transplantes e internações prolongadas têm contribuído significativamente para o crescimento da incidência da doença nas últimas décadas.


Figura 1 – Aspergillus fumigatus

Fonte: Centers for Disease Control and Prevention (CDC)


  1. Quem tem mais risco?


As pessoas mais vulneráveis são aquelas com o sistema imunológico enfraquecido, como pacientes em tratamento de câncer (quimioterapia), transplantados ou que fazem uso prolongado de medicamentos que diminuem a imunidade, como corticoides.

Além disso, indivíduos com doenças respiratórias crônicascomo

asma, bronquite ou Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, também têm mais risco. Nesses casos, o pulmão já está mais sensível, o que facilita a instalação do fungo.


Outro ponto importante é a associação com outras doenças. Pessoas que já tiveram 

tuberculose podem apresentar alterações nos pulmões que favorecem o crescimento do fungo. Além disso, pacientes com doenças hepáticas ou condições graves de saúde (doenças críticas), especialmente aqueles internados em UTI, também apresentam maior risco.

Existe ainda uma condição chamada Aspergilose Pulmonar Invasiva Associada a Vírus

que ocorre quando a infecção por vírus respiratórios enfraquece o pulmão, facilitando a entrada e o desenvolvimento do fungo. Isso pode acontecer, por exemplo, após infecções virais mais graves.


Por isso, embora a aspergilose não seja comum na população geral, ela merece atenção 

especial nesses grupos, pois pode surgir com mais facilidade e evoluir de forma mais grave.


  1. Tipos de aspergiloses


A aspergilose pode aparecer de diferentes formas, dependendo da saúde da pessoa e de 

como o corpo reage ao fungo Aspergillus. Os principais tipos são:


Aspergilose broncopulmonar alérgica (ABPA)


  • É uma reação alérgica ao fungo

  • Mais comum em pessoas com asma

  • Sintomas: tosse, chiado no peito e falta de ar


Aspergiloma (“bola de fungo”)


  • O fungo cresce em espaços já existentes no pulmão

  • Pode ocorrer após doenças como tuberculose

  • Pode causar tosse e, às vezes, sangramento


Aspergilose pulmonar crônica


  • Evolui lentamente (meses ou anos)

  • Mais comum em quem já tem problema pulmonar

  • Sintomas: tosse persistente, cansaço, perda de peso e febre


Aspergilose invasiva


  • Forma mais grave

  • Acontece em pessoas com imunidade muito baixa

  • Pode se espalhar para outros órgãos

  • Sintomas: febre, piora rápida e falta de ar


Figura 2 – Tomografia/componente pulmonar da aspergilose. Fonte: Cleveland Clinic – Aspergillosis
Figura 2 – Tomografia/componente pulmonar da aspergilose. Fonte: Cleveland Clinic – Aspergillosis

  1. Como é feito o diagnóstico


O diagnóstico da aspergilose é feito a partir da avaliação clínica (sintomas e histórico do

paciente) junto com exames laboratoriais. A confirmação da doença acontece quando o fungo Aspergillus é identificado em materiais do paciente, como secreções respiratórias ou amostras de tecido


Outros métodos também ajudam a confirmar o diagnóstico, como exames de sangue 

(sorologia) e análise de tecidos (histopatologia).

Além disso, exames complementares, como hemograma, testes bioquímicos e exames de 

imagem (como raio-X ou tomografia), são importantes para auxiliar na investigação e avaliar a gravidade da doença.

Figura 3 – Estrutura/morfologia do fungo

Fonte: European Respiratory Review – Pulmonary aspergillosis: diagnosis and treatment


  1. Tratamento


 O tratamento da aspergilose depende do tipo da doença e das condições de saúde do paciente, além da disponibilidade dos medicamentos.

          Os principais remédios utilizados são antifúngicos, como Itraconazol, Voriconazol, Fluconazol, Posaconazol, Caspofungina, Micafungina e Anfotericina B.

          No Brasil, alguns desses medicamentos, como a anfotericina B e o itraconazol, são disponibilizados pelo sistema público mediante solicitação e comprovação do diagnóstico da doença.

         Além do uso de antifúngicos, o tratamento também inclui cuidar da saúde geral do paciente, tratar outras doenças associadas e realizar acompanhamento médico após o fim da terapia.


  1. Tem como prevenir?


A prevenção da aspergilose está relacionada principalmente à redução da exposição ao

fungo Aspergillus e ao cuidado com pessoas mais vulneráveis. Como esse fungo está presente no ambiente (poeira, solo, folhas, locais úmidos), não é possível evitá-lo completamente. No entanto, algumas medidas ajudam a diminuir o risco:


  • Evitar locais com muita poeira, mofo ou obras, especialmente para pessoas com imunidade baixa

  • Manter ambientes limpos, secos e bem ventilados

  • Evitar contato com matéria orgânica em decomposição, como folhas e lixo acumulado

  • Utilizar máscara em ambientes com risco de exposição 

  • Em hospitais, adotar cuidados rigorosos de higiene e controle do ar para proteger pacientes mais vulneráveis


Além disso, é importante cuidar da saúde geral e tratar corretamente doenças 

pré-existentes, principalmente problemas respiratórios.


Pessoas com maior risco devem ter atenção redobrada e procurar orientação médica ao 

apresentar sintomas respiratórios persistentes.


  1. Referências Bibliográficas 


Elkhapery A, Fatima M, Soubani AO. Emerging Risk Factors for Invasive Pulmonary Aspergillosis: A Narrative Review. J Fungi (Basel). 2025 Jul 27;11(8):555. doi: 10.3390/jof11080555. PMID: 40863508; PMCID: PMC12387292.


LAMOTH, Frederic; CALANDRA, Thierry. Pulmonary aspergillosis: diagnosis and treatment. European Respiratory Review, v. 31, n. 166, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1183/16000617.0114-2022. Acesso em: 26 abr. 2026.


CLEVELAND CLINIC. Aspergillosis. Disponível em: https://my-clevelandclinic-org.translate.goog/health/diseases/14770-aspergillosis. Acesso em: 26 abr. 2026.


BRASIL. Ministério da Saúde. Aspergilose. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/aspergilose. Acesso em: 26 abr. 2026.





 
 
 

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