Aspergilose: o que é, como surge e quando se preocupar.
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O que é a aspergilose?
A aspergilose é uma doença causada por fungos do gênero Aspergillus, que são muito
comuns no ambiente. Esses fungos vivem no solo, na poeira, em plantas e em matéria orgânica em decomposição, fazendo parte do nosso dia a dia.
Eles se reproduzem liberando pequenas partículas chamadas esporos, que ficam
suspensas no ar e podem ser inaladas sem que a pessoa perceba. Isso acontece com todos nós o tempo todo, principalmente em ambientes abertos ou com poeira.
É importante entender que o simples contato com o fungo não significa que a pessoa vai
desenvolver a doença. Na maioria dos casos, o organismo consegue eliminar esses esporos naturalmente. A aspergilose costuma surgir apenas quando há alguma dificuldade de defesa do corpo, como em pessoas com imunidade baixa ou problemas respiratórios, permitindo que o fungo se desenvolva e cause infecção.
Estimativas recentes indicam que mais de 2,1 milhões de pessoas desenvolvem
Aspergilose invasiva anualmente, especialmente pacientes com DPOC, câncer pulmonar, neoplasias hematológicas e indivíduos internados em unidades de terapia intensiva. Além disso, a aspergilose pulmonar crônica apresenta incidência estimada de cerca de 1,8 milhão de casos por ano no mundo, causando aproximadamente 340 mil mortes anuais. A mortalidade da aspergilose invasiva é extremamente elevada, podendo atingir 85,2% dos casos em populações vulneráveis. Em pacientes transplantados, estudos demonstram sobrevida de apenas 25% após um ano em receptores de transplante de células-tronco hematopoéticas. Dados epidemiológicos também mostram que entre 1% e 3,9% dos pacientes hospitalizados por DPOC podem desenvolver aspergilose invasiva. O aumento do uso de terapias imunossupressoras, transplantes e internações prolongadas têm contribuído significativamente para o crescimento da incidência da doença nas últimas décadas.

Figura 1 – Aspergillus fumigatus
Fonte: Centers for Disease Control and Prevention (CDC)
Quem tem mais risco?
As pessoas mais vulneráveis são aquelas com o sistema imunológico enfraquecido, como pacientes em tratamento de câncer (quimioterapia), transplantados ou que fazem uso prolongado de medicamentos que diminuem a imunidade, como corticoides.
Além disso, indivíduos com doenças respiratórias crônicascomo
asma, bronquite ou Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, também têm mais risco. Nesses casos, o pulmão já está mais sensível, o que facilita a instalação do fungo.
Outro ponto importante é a associação com outras doenças. Pessoas que já tiveram
tuberculose podem apresentar alterações nos pulmões que favorecem o crescimento do fungo. Além disso, pacientes com doenças hepáticas ou condições graves de saúde (doenças críticas), especialmente aqueles internados em UTI, também apresentam maior risco.
Existe ainda uma condição chamada Aspergilose Pulmonar Invasiva Associada a Vírus,
que ocorre quando a infecção por vírus respiratórios enfraquece o pulmão, facilitando a entrada e o desenvolvimento do fungo. Isso pode acontecer, por exemplo, após infecções virais mais graves.
Por isso, embora a aspergilose não seja comum na população geral, ela merece atenção
especial nesses grupos, pois pode surgir com mais facilidade e evoluir de forma mais grave.
Tipos de aspergiloses
A aspergilose pode aparecer de diferentes formas, dependendo da saúde da pessoa e de
como o corpo reage ao fungo Aspergillus. Os principais tipos são:
Aspergilose broncopulmonar alérgica (ABPA)
É uma reação alérgica ao fungo
Mais comum em pessoas com asma
Sintomas: tosse, chiado no peito e falta de ar
Aspergiloma (“bola de fungo”)
O fungo cresce em espaços já existentes no pulmão
Pode ocorrer após doenças como tuberculose
Pode causar tosse e, às vezes, sangramento
Aspergilose pulmonar crônica
Evolui lentamente (meses ou anos)
Mais comum em quem já tem problema pulmonar
Sintomas: tosse persistente, cansaço, perda de peso e febre
Aspergilose invasiva
Forma mais grave
Acontece em pessoas com imunidade muito baixa
Pode se espalhar para outros órgãos
Sintomas: febre, piora rápida e falta de ar

Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da aspergilose é feito a partir da avaliação clínica (sintomas e histórico do
paciente) junto com exames laboratoriais. A confirmação da doença acontece quando o fungo Aspergillus é identificado em materiais do paciente, como secreções respiratórias ou amostras de tecido.
Outros métodos também ajudam a confirmar o diagnóstico, como exames de sangue
(sorologia) e análise de tecidos (histopatologia).
Além disso, exames complementares, como hemograma, testes bioquímicos e exames de
imagem (como raio-X ou tomografia), são importantes para auxiliar na investigação e avaliar a gravidade da doença.

Figura 3 – Estrutura/morfologia do fungo
Fonte: European Respiratory Review – Pulmonary aspergillosis: diagnosis and treatment
Tratamento
O tratamento da aspergilose depende do tipo da doença e das condições de saúde do paciente, além da disponibilidade dos medicamentos.
Os principais remédios utilizados são antifúngicos, como Itraconazol, Voriconazol, Fluconazol, Posaconazol, Caspofungina, Micafungina e Anfotericina B.
No Brasil, alguns desses medicamentos, como a anfotericina B e o itraconazol, são disponibilizados pelo sistema público mediante solicitação e comprovação do diagnóstico da doença.
Além do uso de antifúngicos, o tratamento também inclui cuidar da saúde geral do paciente, tratar outras doenças associadas e realizar acompanhamento médico após o fim da terapia.
Tem como prevenir?
A prevenção da aspergilose está relacionada principalmente à redução da exposição ao
fungo Aspergillus e ao cuidado com pessoas mais vulneráveis. Como esse fungo está presente no ambiente (poeira, solo, folhas, locais úmidos), não é possível evitá-lo completamente. No entanto, algumas medidas ajudam a diminuir o risco:
Evitar locais com muita poeira, mofo ou obras, especialmente para pessoas com imunidade baixa
Manter ambientes limpos, secos e bem ventilados
Evitar contato com matéria orgânica em decomposição, como folhas e lixo acumulado
Utilizar máscara em ambientes com risco de exposição
Em hospitais, adotar cuidados rigorosos de higiene e controle do ar para proteger pacientes mais vulneráveis
Além disso, é importante cuidar da saúde geral e tratar corretamente doenças
pré-existentes, principalmente problemas respiratórios.
Pessoas com maior risco devem ter atenção redobrada e procurar orientação médica ao
apresentar sintomas respiratórios persistentes.
Referências Bibliográficas
Elkhapery A, Fatima M, Soubani AO. Emerging Risk Factors for Invasive Pulmonary Aspergillosis: A Narrative Review. J Fungi (Basel). 2025 Jul 27;11(8):555. doi: 10.3390/jof11080555. PMID: 40863508; PMCID: PMC12387292.
LAMOTH, Frederic; CALANDRA, Thierry. Pulmonary aspergillosis: diagnosis and treatment. European Respiratory Review, v. 31, n. 166, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1183/16000617.0114-2022. Acesso em: 26 abr. 2026.
CLEVELAND CLINIC. Aspergillosis. Disponível em: https://my-clevelandclinic-org.translate.goog/health/diseases/14770-aspergillosis. Acesso em: 26 abr. 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. Aspergilose. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/aspergilose. Acesso em: 26 abr. 2026.



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